quinta-feira, 6 de novembro de 2008

SOBRE A FOTOGRAFIA - JOSÉ SARAMAGO

Estava eu aqui lendo os Cadernos de Lanzarote, do José Saramago. Nas memórias de 21 de janeiro de 1.995 ele diz: "As mãos levantam a câmara fotográfica à altura dos olhos e o mundo desaparece. Rápido ou lento, segundo o grau de urgência ou de provocação da imagem que vai ser captada, o movimento das mãos respondeu a um estímulo visual. Agora, por trás do visor, o olho fará reaparecer, não o mundo, mas um fragmento dele, o pouco que pode caber no retângulo cujos lados, como lâminas insensiveis, talham e cerceiam o corpo da realidade. Naquele derradeiro e infinito instante que precede o disparo da objetiva, e como se ao longo das linhas que imperativamente limitam o visor existisse uma rede de microscópicas condutas, o mundo exterior ainda procurará penetrar no espaço que lhe foi retirado, para nele deixar um sinal de sua obliterada dimensão. Fragmentos de um todo ou de sua aparência, cada fotografia, por sua vez, é fragmento de fragmentos....." Hoje não precisa mais de fotos, pois estas palavras valem por várias. Quem gosta de fotografia entenderá.

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